Pedal até Nova Trento

nova tentro 01Pedal até Nova Trento Havia muito que queria ir a Nova Trento pedalando. Dentre várias razões, o terreno no trajeto, com subidas leves e o trecho de BR se assemelha bastante às condições no Uruguay,
sobretudo no interior das provícias. Além disso, de teste, procurei um dia num fim de semana que fizesse um bom tempo, com algumas nuvens e meio nublado. No Windguru vi um domingo ideal, tava chovendo muito aqui em Floripa durante a semana. O tempo tava bem instável, inclusive todo mundo no sábado me agourando “vai chover!!”, que nada, confiei na previsão e fui. Tinha um detalhe na previsão que vi, mas que não ignorei e tomei como desafio: o vento.

nova tentro 02Levei uma garrafa d’água, uma bolsa com uma muda de roupas, ferramentas, e uma toalha. Pra comer, tinha umas frutas e uns sanduíches, nada mais. E fui! Saí de casa umas 8hs. Tava meio frio até, fui com uma camisa de algodão, manga comprida e uma blusa que uso pra pedalar. Fui numa média de 23km/h, de leve. Embaixo da ponte, os pescadores habituais, tudo tranquilo. Ao invés de seguir pela Via-Expressa, segui pelo Estreito, por dentro até chegar na BR-101. Com o rumo norte, dei uma ligada pra casa pra dar um sinal de vida “tô na BR!”. Até então tinha pedalado somente nas SC aqui na ilha. Depois de 1h de pedal, depois de uns 20km, passei na casa da minha irmã em Biguaçú. Fiquei ali uns 40 minutos, tomando um café e comendo bolo. Dei um tempo e toquei adiante, ainda faltavam 32km até Tijucas, onde planejava almoçar. Passando o posto da Polícia Rodoviária, vi um andarilho carregando um carrinho de compras, parecia que saiu daquele filme, “A Estrada”! Uns 10km adiante, já próximo da entrada de Gov. Celso Ramos percebi de fato o que me aguardava, o vento. Dali em diante a média começou a diminuir, dali em diante até Tijucas não passou de 18km/h. Nesse ponto, passa por mim um cara com uma speed. Mesmo contra o vento ele devia tá pedalando a uns 30km/h! A física explica: sem peso no bagageiro, com uma bike bem mais leve e com um preparo físico sem dúvida melhor que o meu, era mais que aceitável aquele rendimento. Tudo bem, comecei a cantarolar e interagir com os bois no lado da estrada e toquei adiante. Sem pressa alguma! Cheguei num posto mais adiante, resolvi parar e comer alguma coisa. Enfim, descansar, ainda faltavam 15km até Tijucas.

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nova tentro 03Um dos frentistas do posto veio conversar comigo, perguntando de onde tava vindo e tudo. Expliquei queria ir a Nova Trento e almoçar em Tijucas e ele m indicou um restaurante já na geral indo em direção até São João Batista. “Comida boa e barata”, ele disse. Era tudo o que precisava ouvir! Agradeci e me mandei. Até ali tinha pedalado quase 2hs. Tava há umas 3hs na estrada. O vento só piorou. A medida que passava por trechos mais descampados parecia que o vento vinha direto na cara!!! Parecia não, vinha mesmo! Ali a velocidade média não passava de inacreditáveis 15km/h. E eu ia contra o vento mesmo! Até então tinha pedalado 44km, faltava uns 8km até Tijucas…

Até então tinha pedalado 2h12min, conforme o vídeo.

Parei num ponto de ônibus, comi mais umas frutas, descansei uns 10 minutos e toquei adiante. Não sem antes tirar uma foto!

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Uns minutos depois, depois da curva, vejo a ponte… Lá no fundo!!! Nossa… Ali o vento era tanto, que resolvi descer da bicicleta e seguir andando a pé. Aproveitei e liguei pro Pedro, pra saber do amigo dele que iria me receber lá em Nova Trento, liguei, tava tudo certo. Pedalei mais um tanto, sempre contra o vento e cheguei nessa placa. Agora não faltava quase nada!!

nova tentro 05Cheguei na placa, tirei as fotos, e aproveitei pra comer mais 2 dos sanduíches e mais uma maçã e banana. Em todo o trajeto fui comendo frutas a medida que parava nos lugares, minimizaram muito as cãibras. Umas 12:20hs entrei em Tijucas depois de quase 3hs pedalando. Logo tratei de procurar o restaurante, tava morto de fome! Por sorte, o único que tava aberto era aquele que o rapaz no posto tinha me indicado! Coisa linda, tinha até camarão! Fiz um “pequeno prato” e logo depois fui procurar um mercado aberto. Ainda tinha 30km pela frente e tava sem frutas. Detalhe: na avenida geral de Tijucas, que vai pra São João Batista e Nova Trento, o asfalto tem uma ciclofaixa! Quase não acreditei… Almocei, e voltei uns 800m atrás de um supermercado, queria mais frutas. Comprei mais banana e umas mexiricas. Fiquei conversando com um senhor, que me falou dos ventos “Tá batendo o norte agora, mas amanhã podes ter certeza que vai virar o sul”. Pela conversa que tive com ele com certeza ele também devia pescar. Quando era 13:50hs montei na bike de novo rumo a Nova Trento. Saindo de Tijucas, depois de um trecho com uns paralelepípedos aconteceu a desgraça. Eu sabia já de antemão, antes de sair, que teria que trocar os cubos das rodas, sobretudo o traseiro. Decidi arriscar e viajar com ele assim, “acho que 170km aguentam”, pensei. Mas não. Foi pegar o asfalto de novo que senti a folga na roda. Lamentável. Ainda tinha 30km pela frente! Paciência. Depois de pedalar uns 12km, entrei num posto (acho que já era em Canelinha), que vi o tamanho do estrago: as pastilhas de freio tinham ido pro pau por causa da roda frouxa. Tirei essas fotos das pastilhas depois que cheguei em casa:

A pastilha da esquerda ficava na parte direita da roda traseira. Na parte superior é possível perceber o metal já aparecendo. Exatamente isso que tava raspando no aro e fazendo um barulho muito esquisito. E eu pensando besteira… Tirei as pastilhas traseiras e segui até nova tentro 06Nova Trento sem usar os freios traseiros, tinha umas descidas não muito pesadas. Foi tranquilo até. Parei num buteco, tomei um caldo de cana e toquei adiante. Eram quase 16hs quando cheguei em Nova Trento. De pronto procurei um telefone pra ligar pro Heron, amigo do Pedro. Parei na frente de uma loja Berlanda (os caras tão em tudo no interior!) e fui na lanchonete do lado comprar um cartão telefônico. Foi engraçado, porque tinha 2 meninas tomando um milk-shake e me viram, com aquela cara de acabado e sujo, entrando e pedindo um cartão telefônico, começaram a rir, é claro… Depois até eu ri! Liguei, e descobri que tava longe uns 3km. Lá vamos nós! Ainda não tava escurecendo, meu medo maior que a chuva era pedalar no escuro! “Não, entra aqui no Trinta Réis e vai em direção ao Calvário”. Até aí tudo bem, sabia que Calvário ele tava falando. Mas eu tinha ido até lá de ônibus, uns 15 anos antes! Mas de bike… Achei a tal da placa do Trinta Réis depois da ponte, mas ao invés de seguir reto eu virei a esquerda! Passei por 2 telefones públicos e nada de funcionar… Tava ficando puto já! Aí vi um trecho em obras… Uma lamaçal só, “não pode ser por aqui…”. E voltei pela rua, nisso vi um tiozinho na frente de casa, na rua tinha um dos orelhões que não funcionavam, aproveitei e perguntei: – Tem algum telefone desses funcionando? – Acho que pra lá adiante tem um! – Não funciona… Acabei de vir de lá. – Lá pros lados do Calvário (e apontou pra rua que eu deveria ter ido) deve ter. Aí que me liguei do erro… – Ah, tá certo então, muito obrigado! E fui… Dobrei em direção ao Calvário e aquele lugar me pareceu familiar, até porque passei por ali quando era pequeno, com minha mãe. Vi o Calvário de Santa Paulina, e segui reto. Aí me ocorre a feliz idéia de ligar pro Heron, de novo! – Heron, tô aqui na frente de uma loja de material de construção! É pra cá? – Cara, tu passou direto! Volta que eu vou te esperar na entrada da rua. E encontrei o Heron! Depois de quase 5hs pedalando e 100km percorridos desde Florianópolis. Eram 16h48min. Logo fui conversando com o Heron e trocando uma idéia da estrada. Gente finíssima! No dia seguinte avaliei o estrago da viagem. Perguntei pra ele de uma bicicletaria, fui atrás pra pelo menos ver o que podia ser feito. Cheguei lá e descubro que o cubo já era… Mas assim mesmo troquei as pastilhas de freio e segui até a rodoviária, pra ver a volta pra casa.

– Tem que conversar com o motorista, pra ver se ele deixa colocar a bicicleta no bagageiro. O mesmo papinho de sempre… Eram 11hs e o ônibus saia 13:45hs. Voltei pra casa do Heron, arrumei minhas coisas, almocei e fui pra rodoviária. Eram 14hs, o ônibus chegou de Blumenau, conversei com o motorista e tudo certo! A bike foi solita no bagageiro. Durante a viagem de volta, reparei no vento na 101. Realmente virou, tava batendo um sul bem forte! Acho que tão forte quando enfrentei na ida… Cheguei em Florianópolis às 16hs.

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De um modo geral, tirando os percalços e imprevistos achei bastante válida essa incursão. Justamente pela avaliação dos erros cometidos, seja com as peças ou com o meu (des) preparo físico. Fiz a viagem no tempo que me programei, 100km em 5hs em cima da bicicleta. Agora é arrumar “A Poderosa” e partir pra outra! Agradeço a quem me ajudou, ao André (do blog Pedarilhos), à rapaziada do orkut que sempre manda dicas boas (Daniel, Ricardo, Nelson e etc) e ao Heron por me acolher na sua residência. Fica aqui meu abraço a todos! E toca pra próxima!

redator antonio celso
NOME: Antônio Celso Mafra Júnior
CIDADE: Florianópolis/SC
PROFISSÃO: Professor de História, Mestrado em Educação
ESCREVE SOBRE: Bicicleta e Cicloturismo

 

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