Paixões Enroiadas

Pessoal… este é um TEXTO MALUCO QUE ESCREVI…
Fala sobre BICICLETA de maneira bem cômica… Do quanto somos apaixonados por nossas bikes e do que somos capaz de fazer por elas….AQUI O NÍVEL DA PALHAÇADA É ALTO!..para os que se aventurarem,,, boa leitura.

PAIXÕES ENROIADAS!

Esta é história de meus amores e paixões, e se inicia comigo adolescente, recém ingresso na universidade com minha primeira paixão. Até os 17 anos de idade, já havia paquerado, beijado, mas ainda era virgem. Um dia, triste e cansado daquela vida de estudante que só pegava ônibus, conheci, por acaso, andando pelas ruas do centro da cidade, uma gata chamada Aluminium. Trocamos uma idéia e fiquei interessado em realizar uma aproximação! Aluminium carregava o sobrenome Caloi, ela era prata, baixa, gostava de usar uma rasteirinha tamanho 26, e apesar da pouca idade, já demonstrava os belos sinais da adolescência com sua suspensão e trocadores Shimano Altus.

Certo dia, tive uma conversa com meu Pai e ele me arrumou uma grana pra eu sair com Aluminium. Passei nas lojas Mig, convidei ela pra passear e aí se iniciou o meu primeiro amor. Estávamos sempre juntos, estudávamos na mesma faculdade, frequentávamos as festas e voltávamos tarde da noite conversando pelas ruas da cidade sentindo a brisa da madrugada. Em sinal de minha fidelidade, comprei uma enorme aliança de compromisso, um cadeado azul DE aproximadamente 3 kilos. Mas eu não ligava, estava perdidamente apaixonado e não andava sem a aliança por nada!

Paixões Enroiadas 01

Numa certa tarde de sábado, eu e Aluminium demos um passo a frente em nosso namoro, fomos a uma cachoeira e perdemos a virgindade juntos, fizemos Trilha! Deste dia em diante a paixão aumentou, passávamos a semana juntos e esperávamos o fim de semana para fazer trilha; de vez enquanto, quando dava, a gente dava umas escapadas, aquelas “rapidinha” sabe, só pra trocar o óleo. Passava num posto de gasolina, ela tomava uma ducha e chegávamos em casa disfarçando. Nossa relação durou quase 3 anos até que um dia, apareceu um infeliz em minha vida e roubou Aluminium. Fiquei desconsolado, chorei e até fiz um B.O de desaparecimento, na esperança dela voltar.

Durante os próximos 15 anos de minha vida, tive inúmeras paixões com várias garotas, conhecia elas sempre nas academias, eram parte de um grupo chamado de Spinnig Bikes; mas nunca desenvolvi qualquer sentimento por qualquer uma delas, trocava de uma para outra sem o menor remorso. Era como se estivesse patinando, e realmente estava, pois nunca saia do mesmo lugar. Sentia saudade da fidelidade, da sensação de liberdade de meu primeiro amor, até que um dia, mudei novamente de academia e conheci uma gata. Keiser era seu nome, tinha medidor de velocidade e de potência, marcava a distância percorrida entre outras coisas.

Atrás dessas gatas, conheci um mala chamado Alexandre Henrique, vulgo Leitão. Ele falava de um grupo de amigos chamado Roias, que todos os fins de semana se reuniam para curtir com suas companheiras. Que esse lance de Spinnig Bike era até legal, mais que era um paliativo, visto que você não saia do mesmo lugar. Bom de conversa, Leitão entrou na minha mente ao dizer que os Roias valorizavam a fidelidade, o companheirismo, a importância de se sentir livre e explorar novos lugares e experiências. Senti saudade de Aluminium e nossos diálogos foram se tornando cada vez mais interessantes e produtivos. Ali, estava nascendo um projeto de Roia; mais isso só aconteceu mais tarde.

Durante as aulas de spinnig me aproximei de seu fiel escudeiro, Henrique, um exemplo de todos os valores explicados por Leitão, e ainda somado a isto, Henrique tem uma virtude admirável em qualquer ser humano, a humildade. Depois de um tempo descobri que meu próprio treinador, Jarbas, havia ingressado recentemente na equipe Roias e como excelente treinador que é, passou a me incentivar.

Certo dia, Leitão me levou a uma balada chamada Ciclominas. Chegando lá pensei: – como é que eu passei tanto tempo da minha vida longe disso! Todos os grupos das gatas que você podia imaginar estavam lá, o grupo das Shimano, das Sram, das Alumínio e das Carbon; percebi também que havia um grupo diferenciado; o das patricinhas, também conhecidas por Full. Enfim, fiquei maluco.

Perguntei para Leitão:

– rapaiz, que tanto de gata que é esse; olha aquelas patricinhas lá.

Sabiamente ele me respondeu:

– Você não sabe de nada, a minha é uma daquelas e ainda uma Speciallazed S-Works; calma, um dia você chega lá!

Até perguntei para Leitão sobre Aluminium e ele me disse:

– esquece esse primeiro amor, seu negócio agora é mudar de nível.

Fiz isso facim facim!

Barriga verde de tudo, fiquei na minha, mas percebi que tinha uma gata lá que me chamava a atenção, seu nome era Vitus. Pedi pra Leitão me apresentá-la, e assim ele o fez. Descobri que Vitus era prima do meu primeiro amor Aluminium e que carregavam o mesmo sobrenome, Caloi.

Me apaixonei por Vitus, olhava para ela e pensava:

– meu deus, nunca namorei uma gata turbinada.

Isso mesmo, Vitus era turbinada com dois enormes freios a disco SLX. Dei uma “sondanda” e descobri que Vitus era muito bem quista por todos, que tinha um excelente custo benefício e resolvi peitá!

Perguntei para Leitão qual era sua opinião mais sincera sobre Vitus e ele me disse:

– se você já tá apaixonado pelas turbina SLX, você não imagina o tanto que vai ser bão a hora que você “muntá” em cima dela e começar a mudar de marcha. Após estas sábias palavras, minha imaginação voou; comecei a imaginar se a suspensão dela era macia ou não.

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Na ocasião também conheci Danilo, o dono da boate; no entanto, mais tarde descobri que Danilo é chefe de uma organização criminosa que comanda várias atividades ilícitas na região do Alto Paranaíba, vendendo produtos altamente adrenalizados e viciantes; mas voltemos a Vitus.

Dei o meu jeito, criei coragem e resolvi chamar Vitus para namorar. Leitão, que não é bobo nem nada, já me avisou:

– irmão, ce tá conhecendo o que é bom, mas vai por mim, gasta um pouquinho mais e dá um presente pra ela, compra umas rodas Everest, você não vai arrepender!

Perguntei pra ele:

– onde que eu vou comprar as rodas?

Leitão respondeu:

– do Danilo uai, tudo que você precisar ele tem um monte e no estoque.

Desconfiei que iria ficar dependente dos produtos que Danilo vendia, mas me aventurei e resolvi levar a Vitus com as Everest.

Como não sou mais adolescente, já fui pro “Fight na lata”! Tive minha primeira experiência amorosa com Vitus em uma famosa subida da região chamada Taquaral. Vitus quase que me matou, “literalmente”, mas com ela tive um dos melhores dias dos meus últimos 15 anos. Me apaixonei de primeira!

Neste dia, também conheci o restante dos membros da equipe Roia, um ladrão de câmara de ar, um nadador metido a ciclista, um padeiro marrento e leal, um baxim magrelo que conveeeersaaa e um chinesinho metido a GPS.

O tempo foi passando e, todo sábado a tarde estávamos eu e Vitus juntos com a Roiada. Vitus era boa demais pra mim e gostava tanto dela que passei a encontrá-la também no domingo de manhã. Vitus fazia uma única exigência antes dos nossos encontros, que eu não ficasse bebendo demais no dia anterior, para que nossa trilha não “dengasse”. Em razão desse meu namoro, fui naturalmente abandonando várias condutas que realizava repetitivamente e que nada me traziam de bom; deixei de me embriagar nos fins de semana e larguei de vez uma antiga má companhia, o cigarro!

Apesar de apaixonado por Vitus, meus sentimentos começaram a se tornar ambivalentes; por um lado gostava muito dela, mas por outro comecei a achar ela muito pesada. Eu olhava para as companheiras dos meus amigos e elas eram todas mais modernas, leves, macias, de carbono, entre outras coisas que Vitus não era. O aparecimento desta contradição me inspirou a conhecer uma outra gata, chamada Fuji SLM. Paquerei Fuji as escondidas durante mais de 2 meses até ficar perdidamente apaixonado. Certo dia, de maneira resoluta, resolvi terminar meu relacionamento com Vitus e ficar com Fuji.

Desde o início deste meu novo relacionamento e até a presente data, estou completamente apaixonado por Fuji; até hoje me impressiono com sua velocidade, peso, capacidade de amortecimento e conforto. Mas, como nem tudo na vida é perfeito, Fuji tem muitos enjoamentos e frescuras. Ela é cara, só toma banho com shampoo especial, adora acessórios, entre outras coisas. Além disso, faz questão de ir a seu mecânico preferido de dois em dois meses para retocar a graxa, regular a relação e verificar os freios.

As vezes acho que estou ficando maluco e que não vou dar conta; mas aí Fuji chega toda de mansinho, me leva para Trilha, me dá um chá de selim e eu abro a carteira. No fim do ano passado, Fuji, cheio de frescuras, chegou em mim e disse que estava cansada; que não aguentava mais eu em cima dela, que estava tomando barro demais no seu grupo XTR e ameaçou enfiar o “pé de vela” na minha bunda. Fiquei desesperado e perguntei se podia fazer algo. Fuji disse que se eu quisesse continuar ficando ao seu lado teria que abusar menos dela e me propôs formarmos uma família. Disse para Fuji que estava ficando maluca, que mal estava dando conta das despesas de nossa casa, que já tinha entrado no cheque especial por causa dos seus acessórios, entre outras coisas. Mas ela foi peremptória, e o que aconteceu, tivemos uma filha.

Sprint 20 se tornou minha filha por adoção, seu Pai biológico Edil foi acusado de maus tratos e dessa maneira ela chegou ao orfanato. A história de Sprint é muito bela e marcada pela superação, pois sofreu abusos nas mãos deste Pai por quase 2 anos, saindo com apenas alguns poucos arranhões. Sprint é humilde, legal e não reclama de nada. Até o dia de hoje, só me pediu para que eu comprasse uma bomba de pé, e fiz questão de lhe dar a melhor que encontrei. Assim como minhas antigas namoradas, ela procede da família Caloi, mas de uma linhagem diferente, ela é uma Speed! Como seu nome mesmo diz, Sprint gosta correr tão rápido quanto um Tiagra, e traz no fundo de suas blocagens, rodas Futura.

Hoje me considero um pai de família feliz, nos dias de semana estou sempre com minha filha Sprint e nos fins de semana levo minha esposa Fuji para passear. Ando meio no perrengue com o nascimento de Sprint e com as infinitas frescuras de Fuji; mas com elas me sinto completo e preparado para os novos desafios que estão por vir. Hoje tenho duas mulheres para cuidar, mas recentemente, as duas estão me sacaneando, montaram um “complô” contra mim e estão me pedindo um “Garmin” de presente. Disse para elas terem um pouco de paciência; mas como bom chefe de família que tento ser, assim que possível compro o GPS.

FONTE: Facebook Rogerio Sartori

 

redator carlos menezes
NOME: Carlos Menezes
CIDADE: Uberlândia/MG
PROFISSÃO: Fitter / Prof. Universitário / Colunista da Revista Bicicleta
ESCREVE SOBRE: Bicicleta e Cotidiano

 

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